Sexta-feira, Novembro 13, 2009



PRIMEIRA PÁGINA - FRONT PAGE (O FILME)

O filme mostra a rotina de uma redação de jornal ambientada na Chicago dos anos 20. A abertura, mostrando à diagramação de páginas de jornais com a utilização de tipos móveis, nos faz ter saudades do romântismo que rondava a profissão.

No decorrer do filme vemos o modo como se fazia uma reportagem, de uma forma empírica, usando apenas um telefone com linha direta para as redações dos jornais. E podemos ir além e perceber que aqueles profissionais respondiam pelas únicas fontes de informação das pessoas. Um dos pontos mais críticos do universo jornalístico, mostrado de uma forma divertida e inteligente.

Portanto, não resta dúvidas de que as coisas estão bem diferentes. Hoje não podemos imaginar uma reportagem daquela magnitude, e de grande interesse popular, sendo produzida sem ter um computador, uma máquina fotográfica digital ou celulares por perto.

Observando com mais atenção, percebemos que nem tudo mudou. A essência do fazer jornalismo é a mesma, as maiores e mais fortes ambições das empresas de comunicação continuam iguais.

Como por exemplo, quando o editor do jornalista Hildy (Jack Lemmon), Walter Burns (Walter Matthau) pressiona-o a driblar a proibição e fotografar (com uma espécie de versão pré-histórica da máquina digital) a execução. Ele diz, “Todos os jornais darão a notícia, Nós teremos a imagem”. Depois, os dois escondem o condenado, que havia desaparecido, afim de serem os únicos a ter informação e a fonte exclusiva.

O furo jornalístico, a competitividade, o sensacionalismo, a estrutura de trabalho (com metas, horários, funções, números de caracteres da matéria), a influência da lógica comercial, e etc. Elementos presentes até hoje que garantem a existência e a posição dos veículos de comunicação.

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Sexta-feira, Novembro 06, 2009



MST é acusado de invasão no Pará
Irei colocar aqui três exemplos de como a grande mídia se refere ao MST, e não expressarei a minha opinião, deixarei a cargo de vocês a análise sobre os adjetivos usados para classificar o Movimento. O primeiro será a reportagem publicada em 06/11/09 pela Folha Online; o segundo exemplo será uma matéria publicada no dia 05/11/09 no jornal O Estado de S.Paulo. O terceiro é um vídeo do Jornal Nacional da TV Globo exibido em 20/04/09.

1.Polícia do PA vê indício de ação do MST em destruição de fazendas


ROBERTO MADUREIRA
RODRIGO VIZEU
da Agência Folha

A Polícia Civil do Pará disse que há "fortes indícios" de que integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) tenham praticado os atos de destruição em duas fazendas de Eldorado dos Carajás e Sapucaia, no sul do Estado, anteontem.

Segundo a assessoria do delegado-geral Raimundo Benassuly, informações levantadas pela Deca (Delegacia de Conflitos Agrários) ontem dão conta de que os autores da depredação vivem nos acampamentos mantidos pelo MST na região. As afirmações da assessoria foram feitas em nome da Polícia Civil do Pará.

Segundo o movimento, famílias do local afirmam não ter destruído casas de funcionários e máquinas das duas fazendas, como acusam os proprietários.

O MST afirmou que há "infiltrados" nos acampamentos do MST, "inclusive colocados pelos próprios latifundiários".

Uma das fazendas invadidas, a Maria Bonita, pertence à Agropecuária Santa Bárbara, empresa que tem como sócio o banqueiro Daniel Dantas. A outra propriedade --a Rio Vermelho-- tem como dona a Agropecuária Rio Vermelho.

A Santa Bárbara afirmou, em nota, que o prejuízo na Maria Bonita ultrapassa R$ 3 milhões.

2.MST causou prejuízo de R$ 3 mi no Pará, diz polícia

CARLOS MENDES - Agencia Estado

BELÉM - A destruição ontem pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de casas, tratores e equipamentos da fazenda Maria Bonita, localizada entre os municípios de Xinguara e Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, provocou prejuízo superior a R$ 3 milhões, segundo levantamento feito pela Polícia Civil. O relatório preliminar foi entregue hoje ao secretário de Segurança Pública, Geraldo Araújo, e detalha tudo o que ocorreu na propriedade da agropecuária Santa Bárbara, do grupo do banqueiro Daniel Dantas.

"Além dessas técnicas de guerrilha, o MST bloqueou a rodovia PA-150 em vários pontos, impedindo a chegada da imprensa e da polícia", diz a Santa Bárbara. Em outra fazenda depredada, a Rio Vermelho, do pecuarista Roque Quagliato, os prejuízos superam R$ 200 mil. Lá, casas de empregados e instalações da fazenda também foram danificadas pelos invasores.


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Quarta-feira, Novembro 22, 2006


Mídia e Pânico:

Tendo como fundamentação teórica o livro Mídia e Pânico, de Malena Segura Contrera, iremos traçar um paralelo entre Pan, cidade, mídia, e sociedade. Tríade que permeia os estudos da pesquisadora, norteia este trabalho e serve para compreender o sentimento vivido pela sociedade paulista no dia de ataques do PCC. Como a mídia abordou o fato é o objeto de estudo do trabalho. Pelo viés da semiótica da cultura tratamos o assunto tendo em vista também os conceitos de autores como Edgar Morin, Harry Pross, Vicente Romano, Dietmar Kamper, Vicente Romano e Norval Baitello Jr. por serem estudiosos que apresentam trabalhos relevantes e aprofundados no tangível ao comportamento midiático e sua relação com a massa e poder, bem como os estímulos e conseqüências produzidas nesse campo de interação simbólica.

Por meio da figura mitológica de Pan, tenta-se rebuscar, na sua origem, o conceito que explica a funcionalidade e os mecanismos utilizados pelos meios de comunicação para convencer as pessoas a acreditarem na veracidade e autenticidade do seu discurso. Verifica-se também como a mídia se comporta frente à sociedade: quais são as estruturas narrativas e imagéticas que recorrem para rebanhar as pessoas e criar um efeito de real ao fato. Apontado por estudiosos, a mídia demonstra ser uma estrutura de linguagem persuasiva e ter um discurso institucionalizado na elaboração do conteúdo, da notícia. Tenta-se mostrar, portanto, quais são os elementos que motivam essas críticas de teóricos da comunicação e quais os pontos que determinam a relação dialética entre cidade, mídia, pânico e sociedade.

Palavras-Chave: mídia. pânico. vínculo. sagrado. violência. espetáculo.

FOTO: FOLHA IMAGEM

Mídia e Pânico Conclusão:

Ao percorrer os meandros que demonstram a relação entre sociedade, mídia, pânico e, verificamos que os meios de comunicação, nos estudos de Contrera, trabalham na construção e legitimação do seu discurso, por estabelecer uma ansiedade da informação, almejada pelo público, que resulta no tempo como sendo inimigo do bom jornalismo, que, por sua vez, preza pela verificação e checagem de dados e informações.
Posteriormente, identificamos elementos que se interpenetram nos estudos de Edgar Morin e Guy Debord, a saber a informação como ficção e uma sociedade pautada na produção espetacularizante. Nesta congruência dialética, foi possível notar artifícios utilizados pela mídia que agregam autenticidade e veracidade aos fatos; deste modo, a mídia demonstra influência direta no sentido de envolver o receptor para aglutiná-lo a seu universo de concepções e referenciais simbólicos, explicitado em Mídia é poder simbólico de Harry Pross.

Apropriando-se ainda das idéias de Pross, a mídia é responsável pela regulagem social e mantenedora de um processo de vinculação da sociedade. Quando os meios de comunicação tem isso em foco, podemos traçar um paralelo com os estudos de Norval Baitello Jr. e Vicente Romano concluindo que a mídia pode instituir valores não somente no seu âmbito de atuação, mas também pode atuar no campo que determinará as diretrizes sócio-políticas, econômicas e culturais, tanto em grupos comunitários como em níveis globais.

Nas análises realizadas por Girard, o estudioso aponta que a mídia representa uma afinidade em seu conteúdo, pela relação indissociável entre o sagrado e a violência como pressuposto para uma base da cultura. Essa relação entre sagrado e violência é que direciona os vínculos a serem seguidos pela sociedade estabelecendo uma idéia de “pertencência” ou não daquele individuo a uma determinada sociedade. A mídia representa o valor de incluir ou excluir o agente social por sua vez. Aqui o PCC é o excluído da ordem social.

Portanto, concluímos o estudo refletindo sobre o comportamento midiático (emissor) com a sociedade (receptor), tendo em vista as notícias veiculadas pela mídia pelo PCC; e observamos que, no espaço comunicacional, a mídia mostra-se ainda confusa, distante e sem foco, ambivalente, pelo fato de apresentar uma idéia de velocidade e exarcebação do conteúdo em detrimento da qualidade, bem como acreditar que explorar conteúdos excessivamente violentos agreguem valor informativo e de enriquecimento cultural.

FOTO: FOLHA IMAGEM
1.5 Violência, Sagrado e Altar de Sacrifício

A violência é um tema recorrente na mídia. A tal ponto que os veículos midiáticos criam uma obsessão pelo assunto. Girard afirma que a violência está presente na raiz de nossa cultura e se relaciona com o sagrado. Ambos são inseparáveis, e como ele diz “É a violência que constitui o verdadeiro coração e a alma secreta do sagrado”. (GIRARD, 1998: 46).

O pertencimento dialoga com a violência e os vínculos sociais. A exclusão, a qual é o avesso da idéia de pertencimento, pode motivar o ato violento. Desse modo, o indivíduo que não se sente parte de uma sociedade, recorre à violência, pois para ele, o espaço social é algo distante. No caso dos ataques realizados pelo PCC, observa-se que os mandantes não apresentam vínculos fortes com a sociedade, uma vez que, estão confinados em presídios, são figuras que se “enquadram” no ritual de sacrifício, no “altar sacrifical” sugerido por Girard.

O sagrado apresenta ligação com a violência. Anteriormente, existiam os rituais de sacrifício. Para todo ato sacrificial, é necessário escolher uma vítima. De acordo com Contrera “A vítima é uma legítima representante da sociedade, mas não tem vínculos que tornem sua vida indispensável para o grupo social” (referência). Basicamente, o que diferencia os seres sacrificáveis dos não sacrificáveis está ligado ao processo vinculador.
Segundo R.Girard “Entre a comunidade e as vítimas rituais um certo tipo de relação social encontra-se ausente: aquela que faz com que seja impossível recorrer à violência contra um indivíduo sem expor-se a represálias de outros indivíduos, seus próximos, que considerariam seu dever vingá-lo”.(GIRARD, 1998:25).

Essa falta de vínculos sociais oferece aos meios de comunicação de massa um grande poder, permitindo fazer conexões entre os indivíduos. O grande número de veículos de comunicação e a quantidade de informações existentes geram o chamado vício de comunicação. Esse termo é apontado por Hillman, que o qualifica como uma síndrome atual. Cria-se a idéia de que para o ser humano existir, ele precisa estar conectado. Quando ocorreram os atos de violência proporcionados pelo PCC na cidade de São Paulo, era necessário que o indivíduo se atualizasse para que estivesse a par de tudo. Dessa forma, mesmo que a notícia não trouxesse nada de novo, ao lê-la havia a percepção de que o leitor estava bem informado. A repetição usada pela mídia serve para suavizar as inseguranças.

Girard aponta o sacrifício como a maior solução contra a violência. Neste ato, afirma que existe uma transferência das tensões sociais em direção a vítima. A função do sacrifício seria acalmar as violências interiores e impedir a explosão de conflitos. O episódio ocorrido no Jornal Nacional do dia 15 de maio de 2006 exemplifica essa idéia. O repórter William Bonner ao entrevistar o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, atua-se como a própria figura de um advogado de acusação e o culpa pelos ataques. A mídia, por duvidar da credibilidade do sistema judiciário, assumiu o papel deste e apontou o veredicto em algum caso. Ela possui a capacidade de dominar ou iniciar a vingança. Nas sociedades atuais, esse poder judiciário, mesmo que contestado, faz com que não haja necessidade do sacrifício. Por ser exercido pelas autoridades soberanas e especializadas, esse poder afasta a vingança.Ao veicular notícias com teor violento, a mídia recorre à técnica para que o público as consuma pelas formas e não pelos conteúdos. Segundo Contrera, a violência na mídia está presente em sua própria linguagem. A grande quantidade de informações cria desentendimentos em vez de esclarecer. O episódio dos ataques do PCC causou pânico em virtude de informações mal checadas. O espectador era “metralhado” pelas notícias, algumas verídicas, porém, em sua maioria, falsas, que saíam nos veículos de comunicação.

FOTO: FOLHA IMAGEM
1. 4 Mídia e Primeiro Comando da Capital: Saturação e Literalismo


A mídia, por intermédio de notícias rápidas, sem o mínimo de profundidade, cria empecilhos para um aprendizado real do indivíduo. Cotidianamente, um seleto grupo, capaz de comprar os instrumentos de informação, acredita conhecer com veemência as questões do país e do mundo, porém, se indagados sobre determinado assunto, percebe-se que não tem capacidade reflexiva para discorrer sobre ele. O final de semana de 12, 13, 14, 15 de maio de 2006, no qual o estado de São Paulo foi atingido por uma série de rebeliões e ataques a policiais órgãos públicos coordenados pela facção criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital, (PCC), serve para exemplificar essa questão.

As informações superficiais propagadas neste período criaram na população um estado de pânico e engendraram na segunda-feira (15/05) uma sucessão de boatos acerca de locais atacados e futuros alvos da organização. Posteriormente, a mídia utilizou-se da informação-ficção, estilo que tem como objetivo adequar a informação aos meios de comunicação de massa por meio de técnicas publicitárias, para aumentar seu índice de audiência sem se preocupar com o conteúdo passado à sociedade. Como resultado, a população, receosa, dirigiu-se ao trabalho sentindo-se parte de uma guerra civil, conhecendo brevemente os lugares atacados, mas sem saber se a onda de ataques continuaria ou não.

A saturação, além da impressão de conhecimento, deixa marcas em sua passagem pela cultura, dentre elas, a mais importante seria o literalismo. Segundo o psicólogo James Hillman, podemos compreender o fenômeno como uma incapacidade de simbolizar, o ato de confundir o literal com o concreto. Os códigos sociais e dos meios de comunicação possuem características literalizantes e, por esse motivo, a mídia utiliza notícias “psicopatas” que privilegiam a lei do mercado sem a preocupação de informar, para aumentar sua audiência. Um exemplo concreto foi o jornal Folha de S. Paulo do dia 16/05 trazer às páginas um registro fotográfico produzido pelos jornalistas que, durante os quatro dias de ataques do PCC, se espalharam pela cidade. As fotos, para adquirirem formato jornalístico, necessitariam oferecer ao público o horário e uma legenda que explicassem ao leitor o período e o local em que foram feitas, no entanto, somente sete fotos se enquadraram neste formato. O principal interesse não era o de informar e, sim, o de vender jornais após o incidente.

FOTO: FOLHA IMAGEM
1.3 Informação nos Sistemas Complexos

Hodiernamente, há uma perda de vínculos pessoais em troca da vivência em um mundo virtual. Segundo Hillman, o agente social não se percebe mais como pertencente do espaço que o circunda. Quando o PCC ataca, a população acredita ser dever somente do Estado e dos organismos competentes combatê-los. Rebuscamos o livro Leviatã de Hobbes para explicar o caso PCC, ao dizer que à polícia é delegado o poder para coibir a prática violenta, a desordem na sociedade. A mídia, por sua vez, deve retratar o fato e aos poderes legislativo, judiciário e executivo cabe as medidas necessárias para manutenção da ordem.

Os ataques do PCC em São Paulo são um exemplo do que Contrera chama de “hiperexposição à comunicação”. Existe uma dissolução da primeira história sobre o que era o PCC. Atualmente sabe-se muitas coisas sobre o grupo, mas, há uma degeneração dos dados e as pessoas tem um pré-conceito do que é o PCC e não o que ele representa na sua identidade.

Segundo Kamper, os grandes centros urbanos formam uma sociedade onde a principal forma de vinculação entre seus indivíduos é a “teia midiática eletrônica”. A mídia “seduz” o indivíduo e o deixa refém de um pensamento que se guia pelos meios eletrônicos. O problema está na aparente imersão do humano no mundo criado por ele próprio: a mídia terciária. Com essa dependência a sociedade fica a mercê do que é veiculado na mídia.

Nos quatro dias de ataque do PCC, a mídia ofereceu um trato espetacular às imagens e perdurou sua cobertura por longas horas do primeiro dia e nas suítes de jornais e revistas por tempo indeterminado. O pânico, segundo os veículos, era algo presente e visível na metrópole. No entanto, o que se notava na mídia era uma suposição dos fatos: informações imprecisas em virtude da velocidade pela informação. Atualmente, a sociedade procura por informações mais rápidas e em maior quantidade. Há a diminuição do espaço e do tempo e o aumento do número de pessoas envolvidas. O poder mágico da tecnologia de informação causa, de certa forma, o abandono da comunicação primária, o que dificulta compreender o que é o PCC na sua gênese.

FOTO: FOLHA IMAGEM
1.2 O Poder Simbólico da Mídia na Sociedade do Espetáculo

Ao analisar a cobertura da mídia sobre os ataques do PCC na cidade de São Paulo destaca-se a característica principal da sociedade contemporânea, o consumismo, considerado por Morin como “industrialização do espírito”. Esse estudo é observado em “Poder Simbólico da Mídia na Sociedade de Informação – Mercadoria”, por Contrera. O consumo das massas não corresponde apenas ao fato de se explorar símbolos relativos à vida prática, mas também ao imaginário sedutor da realidade produzido pela publicidade.

As reportagens em grandes escalas, produzidas na época da violência do PCC, foram consumidas pela sociedade em grande quantidade. Quanto mais notícias eram produzidas, mais eram usufruídas pelas pessoas, o que ressalta a necessidade do consumismo. A mídia é dotada de um poder que orienta e organiza a sociedade e influencia a maneira de agir.

As informações veiculadas nos meios de comunicação sobre o atentado do PCC persuadiram o cidadão a fechar o comércio e a deixar o emprego mais cedo; escolas e universidades a suspender suas aulas. A mídia é o grande suporte de agregação e porta-se como base de comportamento a ser seguido, ou não, pela sociedade. Os meios de comunicação utilizam-se demais as imagens, em detrimento do próprio conteúdo da notícia, para manter o monopólio simbólico sobre a sociedade. No caso PCC a mídia atingiu a sociedade por meio do aparato visual com a construção de um discurso sensacionalista e que visasse narrações e textos espetaculares das notícias. A estética dos programas televisivos seguiu o que Debord chama de “sociedade do espetáculo”, as pautas se balizavam pela exarcebação do fato e supervalorização da produção do material jornalístico.

A onipresença dos meios de comunicação possibilita que estejam em toda parte e ao mesmo tempo. Notícias sobre o PCC eram produzidas a cada minuto na internet e tivemos o desencontro de várias informações. Enquanto o rádio noticiava o estado de toque de recolher da cidade, o governador de São Paulo concedia entrevista na televisão afirmando o contrário.

FOTO: FOLHA IMAGEM

1.1 Mídia, Vínculos Sociais e Imagem

Durante o episódio dos ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na cidade de São Paulo, em maio de 2005, pudemos verificar que a cobertura midiática estabeleceu um vínculo entre os membros da facção, contando os estágios por qual passou e como as relações sociais entre seus membros foram essenciais para a criação de suas ações.

Muniz Sodré diz que a comunidade não é somente agregação, mas sim um laço atrativo, uma obrigação simbólica que faz nascer uma dívida com o grupo social e com o próprio indivíduo. É também um compromisso social de vida e morte, como, por exemplo, no caso de uma convocação para a guerra, onde existe a possibilidade de morrer pelo grupo social ou, como no caso do PCC, os ataques sincronizados contra as forças policiais.

A mídia trata o vínculo como uma relação, no entanto, são coisas distintas. O vínculo relaciona-se com o psiquismo, enquanto a relação é regida por regras jurídicas e sociais. A mídia trabalha a relação, enquanto a comunicação trabalha o vínculo. Para viver em comunidade é preciso compreender suas tensões e sua violência. A violência é maior em grupos onde a comunidade é fortalecida, por isso é complexo abordar a comunidade como um lugar de vínculos. A mídia aborda a relação de forma externa e sem pertencimento. Um exemplo é a Internet, onde há pessoas conectadas, porém, desvinculadas.

O processo de formação de imagens foi o trunfo do homem frente à incapacidade do seu destino mortal. As imagens sociais partilham e vinculam o ser humano a um determinado grupo; juntamente com sua capacidade imaginativa, formam o universo imaginário de uma cultura, remetendo à compreensão das razões de se encontrar núcleos imagéticos que resistem a mercantilização e ao empobrecimento da estética, causada pela cultura de massas.

A imagem pode criar e recriar a realidade independentemente do tempo e do espaço. A televisão mostra-se um valioso instrumento informador de ideologias, valores. Enquanto a palavra cria, a imagem mostra, faz um recorte da realidade. Durante os ataques em São Paulo do Primeiro Comando da Capital, as imagens da violência superaram a narrativa da história. O que se viu nos meios de comunicação foi uma maciça exposição de viaturas policiais nas ruas da cidade e imagens de ruas vazias.

Com os recursos tecnológicos, o acesso a diferentes imagens foi facilitado. No entanto, encontramos na mídia a imagem como uma linguagem que traduz a velocidade da vida diária. De fato, o certo é conhecer e manipular as palavras como instrumento de trabalho e complementar a informação trazida pela imagem.

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Eleições 2006: Um show de cobertura da Band
Sem dúvida, nessas eleições a melhor cobertura foi de longe a da Rede Bandeirantes. No dia da votação do primeiro turno, a apuração foi acompanhada em tempo real, sendo prioridade na programação, ao contrário de outras emissoras, que preferiram passar seus rotineiros programas dominicais. É... Ver gente famosa nas mais inusitadas situações é mais importante que a escolha de nossos governantes... Mas ainda bem q nem todas as emissoras pensaram assim.
O grande trunfo da Bandeirantes foi fazer um programa falando sobre política, que não se tornou chato e cansativo de assistir. Pelo contrário, até... Além da presença de jornalistas do porte de gente como Franklin Martins, Ricardo Boechat, Joelmir Beting e Fernando Mitre, foram convidados inúmeros políticos de diversos partidos. E a cada certo período de tempo, entrava um e saía outro. Isso deixou o programa com uma dinâmica ímpar.
Os debates realizados na emisorra (que também era transmitido pela Rádio Bandeirantes e BandNews) foram os mais imparciais e "justos". A falta de tendencionismo e a igualdade de tratamento entre todos os candidatos favoreceu a dicussão política (certo, em alguns momentos se tornaram um festival de acusações, principalmente nesse último debate do domingo). A única coisa que me incomodou foi a mediação passiva de Ricardo Boechat. Ele poderia ser um pouco mais enérgico em alguns momentos com os candidatos, para evitar maiores ânimos exaltados durante o debate.
No geral, a cobertura mostrou quase tudo o que era possível (e importante) ser apurado, para maior esclarecimento dos eleitores. Vale lembrar que a Rede Cultura também fez uma ótima cobertura das eleições. Duas emissoras já aderiram a essa cobertura... Vamos torcer para que as outras (as grandes) emissoras também cumpram seu papel de informar a população. E que venha o segundo turno, com mais um jornalismo de boa qualidade que a Bandeirantes mostrou. E que essa boa qualidade dure depois do fim das eleições.